Onde anda o respeito às diferenças?

Na palestra de Cortella, que mencionei no último artigo, tive o prazer de encontrar um dos maiores músicos do Brasil, Armadinho Macedo, o rei da guitarra baiana e filho de um dos criadores do trio elétrico. Uma personalidade muito simples e interessante.

Ele é torcedor do Bahia e falei com ele sobre o hino que ele costuma tocar na guitarra baiana, o hino do time, que é um dos mais belos hinos de clube que há no Brasil. Armandinho me falou que está difícil tocar o hino do Bahia em seus shows, pois alguns torcedores do Vitória, arqui-rival do Bahia, estão ameaçando bater nele em alguns momentos.

Fiquei me questionando o que leva uma pessoa a agir dessa maneira. Lutamos tanto pela liberdade da expressão, buscando que não sejamos proibidos por nenhuma força governamental de nos posicionarmos de maneira livre, para que sejamos agora os tiranos que impedem a expressão alheia?

Armadinho me confessou que num show um indivíduo chegou a apertar violentamente sua mão ameaçando-o por ter tocado somente o hino do Bahia e não também o hino do Vitória. Imagine você, as mãos de Armandinho são valiosas demais. O homem que é um dos maiores guitarristas do Brasil e um ícone mundial na guitarra baiana e no bandolim sendo machucado em seu principal meio de trabalho, a mão, por conta da intolerância e da ignorância humana.

Há polarizações muito extremas no Brasil neste momento histórico e isso somente nos remete ao mais reles estado de humanização. Ter um posicionamento claro em relação aos temas fundamentais que afetam nossa vida é relevante, mas não aceitar que outras pessoas possam ter uma opinião divergente e já as classificar negativamente é beira à tirania pintada por Platão em sua República. “Petralha, coxinha, esquerda caviar, fascista…”

Não é possível encarar o outro como um outro? Tem que ser como nós somos para que os respeitemos.

Isso é inadmissível ainda mais falando de futebol na Bahia. Aqui tinha a torcida mista, e entre a torcida do Bahia e a do Vitória havia um intersecção onde torcedores de ambos times dividiam o espaço de maneira pacífica. Essa torcida mista permitia que amigos e/ou familiares que torcem para times diferentes pudessem assistir juntos à partida. Bons tempos aqueles…

Onde foi parar nossa tolerância? Talvez tenha se perdido junto como helicóptero de Ulisses Guimarães.

Mais do que tolerância, temos que falar em convivência. Afinal, tolerar é aceitar arduamente. Conviver é viver juntamente.

Que possamos reaprender o valor da convivência.

Como disse Luther King:

“Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos”

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