O Mestre da Humildade

Um dos palestrantes mais renomados da atualidade é Mário Sergio Cortella, o “filósofo pop”. Assisti a uma palestra dele mês passado cujo título é  “Por que fazemos o que fazemos? – Aflições vitais sobre carreira, trabalho e realização”. A palestra foi muito boa, como esperava, mas o que mais me chamou a atenção, foi que, assistindo pela segunda vez a uma palestra dele, ele fez a mesma prática de ficar ao final para autografar os livros e tirar foto com TODOS os admiradores e fãs que quisessem.

A fila que se formou demorou quase 2h. Diga-se de passagem, estamos falando de uma palestra que acabou às 22h30, feita por um homem idoso, que acorda antes das 5h e que viajaria às 3h30 da manhã. Então, trata-se aqui não de um ato prazeroso, mas um ato humilde e respeitoso. E abdicar do prazer de seu merecido descanso para o dever de ser respeitoso e carinhoso com o público que o admira é típico de homens nobres, virtuosos.

O Filósofo deve realmente ser um cultivador de virtudes e não um colecionador de intelecto. E Cortella se mostrou assim e reforçou em mim essa necessidade de cultivar a virtude do compromisso com aqueles que gostam de mim, principalmente o compromisso comigo mesmo.

Semana passada não escrevi meu texto. Furei meu compromisso semanal com esse texto. Ninguém me cobrou, mas é um compromisso que tenho comigo mesmo. E isso me incomodou. Furar um compromisso consigo próprio deveria ser o mais incômodo furo que possamos ter, pois o compromisso com nós mesmos é geralmente o primeiro a ser quebrado, mas o compromisso com outros nós sempre procuramos cumprir.

Sou palestrante e tenho uma empresa de treinamentos e palestras, e tendo um banco de palestrantes, sei que a função de um palestrante é encantar pelo seu conhecimento e sua técnica e levar a plateia a reflexões que podem ser reveladoras sobre si mesma e sobre seus projetos pessoais ou corporativos.

Não é função dele, a não ser que tenha sido acordado em contrato,  o autógrafo em livros e ficar um tempo depois da palestra para tirar fotos com a plateia. E ao fazer isso, Cortella mostra um compromisso dele consigo próprio e um humilde respeito aos admiradores e fãs. E mesmo que seja contratual, a forma como ele faz, com alegria e paciência é de se encantar.

Que o sucesso continue a te perseguir, caro filos sophos (amante da sabedoria) como a limalha de ferro segue o ímã.

Parabéns, mestre, por demonstrar que prioriza seu público.

Pois como você falou: “Quando você diz que não tem tempo para algo é porque aquilo não é prioridade para você”.

E para você que lê o texto lhe pergunto: como anda seu compromisso consigo mesmo e com as pessoas que te admiram? Cultivar isso é cultivar o que você tem de melhor.

Ps. Como “pena” a mim, farei dois textos esta semana.

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