Se você faz compras com regularidade já deve ter visto nos supermercados as tais embalagens econômicas, certo? Pois é, tenho notado há um tempo que essas tais embalagens econômicas, em grande parte, nada tem de econômicas. Elas saem com muito menos vantagem financeira do que as embalagens menores. Pois é, o tal “leve mais por menos” tem sido “leve mais por muito mais”.

Quando constatei isso logo no início, achei que fosse um erro. Mas após alguns meses e produtos e supermercados diferentes, percebi estupefato que é uma prática. Então, ainda com a mentalidade “Alice no País das Maravilhas” pensei que deveria ser uma prática comum somente em minha cidade. Aí, fiz uma pesquisa rápida na internet e descobri uma matéria do Rio de Janeiro denunciando a mesma prática.

Não sei se ficou claro para você qual o golpe, mas vou exemplificar. Digamos que uma embalagem de 1l de sabão líquido custa R$3,76, ao lado você vê uma embalagem econômica de 2,5l por R$9,78. A sua mente, por inércia irá pensar que a embalagem econômica é mais vantajosa, mas basta fazer um cálculo para ver que isso é uma grande fraude.

Quero analisar dois pontos aqui: 1- Sobre o maléfico jeitinho brasileiro de levar vantagem em tudo; 2- Sobre a preguiça de pensar.

O jeitinho brasileiro é essa malandragem Gersoniana que quer levar vantagem em tudo, mesmo que seja enganando os outros. O perigo do jeitinho é exatamente que ele beira a criminalidade, mas não é crime. Está na exata fronteira entre o comportamento ético e o comportamento criminoso. Daí o grande problema, a covardia.

Agir de maneira criminosa para prejudicar alguém tem ao menos uma virtude: a coragem. Mas atuar malandramente, utilizando o jeitinho brasileiro é covardia, é canalhice. Então se uma empresa age assim comigo, qual esperança posso ter na conservação dos produtos, prazo de validade…

O segundo ponto, que é uma das causas promotoras do primeiro é: nossa preguiça de pensar. A preguiça é um dos sete pecados capitais, mas tenho quase certeza de que quando você imagina a preguiça você lembra de algo que te remete à indolência física e não à falta de vigor mental para pensar e analisar situações e cenários.

Infelizmente, essa malandragem de algumas empresas ignóbeis, desprezíveis, etc só é possível por termos de outro lado uma preguiça de pensar e refletir sobre nossas ações (e não somente as ações de consumo).

Quando você renuncia à capacidade de refletir, pensar, calcular, você está colocando suas decisões nas mãos de outras pessoas, que talvez não te queiram tão bem quanto você quer a si próprio.

O conforto é uma grande conquista da modernidade, mas sua outra faceta é a prisão que nos traz. Ele nos aprisiona. Nós não pensamos mais, pois temos máquinas que pensam por nós. Os mais antigos que leem este texto devem lembrar da época em que sabiam pelo menos uns 10 números de telefone dos familiares e amigos mais próximos. “E o que eu ganho com guardar números na minha cabeça, Yang? Quero mesmo é deixar ela livre para pensar coisas mais importantes.”, você pode retrucar. Mas, os estudos neurológicos mostram o contrário, quanto mais utilizamos o nosso cérebro, mais potente ele fica.

Então, quer ter um cérebro melhor? Desafie-o cada vez mais. Ele não precisa de moleza para ser melhor. Aliás, acho que somente as lesmas ficam melhores com a moleza.

Eu me indigno com as empresas que usam sua malandragem para enganar o consumidor. Isso não é justo e correto. É uma atitude antiética e que mostra uma mentalidade mesquinha de marcas que deveríamos admirar, seguir, gostar e usar com confiança.

Mas no caso da embalagem econômica, o que mais me indigna é com nossa preguiça em pensar. Pois se as empresas usam essa tática funesta, é porque deve funcionar financeiramente.

Então, antes de qualquer atitude em sua vida que lhe pareça vantajosa. Use a mente e lembre-se da embalagem econômica. Lembre-se que nem tudo que parece vantagem é e que nem todos querem nosso bem.

Não deixe de se questionar, de pensar. Sempre bom lembrar de Descartes que disse: “Dubito, ergo cogito, ergo sum”. “Duvido, logo penso, logo existo”. Pois é, se você não pensa, você é massa de manipulação das mentes maliciosas e pensantes que maquinam as diversas embalagens econômicas presentes no mercado, na sociedade, na política e no amor.

Pense uma coisa: A dor de pensar é menor do que a dor de ser manipulado.

 

Ps. Veja a matéria citada, clicando aqui e outra clicando aqui

 

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