#6: Para ser campeão olímpico

Para ser campeão olímpico

Em tempos de Jogos Olímpicos vemos muitos campeões e sempre nos espantamos com o nível altíssimo de competitividade desses atletas. Uma questão sempre válida é refletir sobre o tamanho do esforço dessas pessoas e verificar de que maneira isso pode nos influenciar positivamente.

Um estudioso dos EUA chamado Malcolm Gladwell diz em seu livro Fora de Série que precisamos de no mínimo 10.000 horas de esforço concentrado para nos tornarmos experts de nível internacional em alguma atividade. Isso dá cerca de 8 horas diárias por 4 anos ou 4 horas diárias por 8 anos ou ainda 1 hora diária por 27 anos…

Ou seja, muita dedicação para se tornar um dos melhores do mundo.

Esse estudo foi sendo deturpado e um conhecimento que se tornou comum sobre ele é de que precisamos de 10.000 horas para poder sermos bons em alguma coisa. Ora, de expert de nível internacional a ser bom em algo tem uma diferença tremenda. Esse foi o efeito do telefone sem fio, as pessoas transmitindo a informação sem muito critério e deturpando o estudo.

O que se percebeu em outros estudos sobre aprendizagem foi que o nível de ganho de aprendizagem de algo novo é muito superior nas primeiras horas de treino e que em aproximadamente 20 horas de treino você já consegue executar algo que você antes não conseguia.

Então, de 10.000 horas buscando ser expert internacional para 20 horas para aprender algo muda muito, né? Sim, e o principal, saber que são 20 horas não nos assusta para começarmos uma jornada. Pois é assustador saber que Michael Phelps, mesmo com toda predisposição genética para a natação, teve que treinar TODOS os dia do ano, inclusive Natal, Reveillon e aniversário de 1998 até a Olimpíada de 2004. Isso dos 13 aos 19 anos de idade!

Lembro de meu amigo Edvaldo Valério, medalhista olímpico em Sidney, que precisava se deslocar quase 80km todos os dias, de ônibus, para poder treinar. Isso durante 18 anos! Com o total de kilometragem desse percurso ele teria dado 13 voltas ao redor da terra… Pasmem!

Então, nem sempre essas marcas nos estimulam, às vezes elas nos assustam, pois sempre contamos a história dos campeões. Mas quantos treinaram tanto quanto Valério e Phelps, mas não tiveram os mesmos resultados? Talvez tenham tido alguns resultados de desenvolvimento humano, a exemplo da disciplina, força de vontade, dedicação, entre outros, mas resultados de marcas relevantes, não tiveram.

E aí chegamos em três pontos essenciais do nosso papo aqui: 1- Você precisa/quer ser um dos melhores do mundo em sua área? 2- Qual o preço que você está disposto a pagar? 3- Que tal começar alguma atividade com a disciplina de atleta e após as 20 horas de dedicação já ver algum bom resultado?

Muitas vezes a equipe comercial da minha empresa Eloquence Treinamentos e Palestras é questionada sobre se a carga horária de 16h é possível para se aprender oratória. Ora, você já percebeu que em 20h a pessoa entra numa auto-escola sem saber dirigir e sai de lá direto para a prova do Detran? Se é possível aprender a dirigir, que é uma atividade bem mais complexa, por que não aprender a falar em público com segurança?

Tenho certeza que a maioria dos grandes campeões não começou a treinar com o objetivo inicial de ser uma lenda no esporte, mas o fez para aprender algo novo, se divertir, melhorar a saúde (como foi o caso de Valério) ou até mesmo os pais colocaram no esporte para que ele “gastasse a energia” (como foi o caso de Phelps). A partir dessa iniciação mais ou menos leve, ganharam gosto pelo esporte e começaram a se dedicar a ponto de abdicarem de muitas outras coisas em pról das vitórias.

Fica então esse ensinamento a nós. Não pense em quanto irá precisar se dedicar para ser excelente nisso. Comece a fazer algo que você quer e, assim que o amor pela atividade se tornar maior que a dor das renúncias, desenvolva o melhor da sua força de vontade. Assim é para os atletas, para os grandes empreenderes, para os excelentes pais e mães, etc.

Refletindo sobre a frase atribuída a Confúcio: “Faça o que ama e nunca mais terá que trabalhar um só dia em sua vida”, trago a questão: você está indo atrás do que ama ou aceitando as migalhas da vida?

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