#4: Só estou compartilhando…

Só estou compartilhando…

Talvez você já tenha lido essa frase antes de algum texto de denúncia ou de alguma polêmica recebida por email ou redes sociais. É muito comum recebermos e, infelizmente, normal demais o compartilhamento sem checar as informações. Isso pode levar a grandes problemas, a exemplo do caso da Escola Base, de 1994, em que a própria imprensa repercutiu uma notícia de que os diretores da escola estavam estuprando alunos, sem nem mesmo checar a veracidade das informações, deixando que a indignação da população destruísse a escola, que supostamente abusava sexualmente de crianças, o que foi comprovado como falso. Foi um pouco tarde, pois a escola estava destruída e os donos sem perspectiva e com fama de pedófilos estupradores…

Recentemente aconteceu um caso estranho e engraçado, uma mulher que aplicava o golpe de “boa noite, cinderela” em Salvador, neste caso “boa noite, cinderelo” rs. Ela conseguiu furtar 8 homens com esse crime. Até aí só uma notícia inusitada, correto? Mas o que mais me chamou a atenção e tem muito a ver com esse artigo é que ela não modificava o número do telefone e quando o golpeado ia procurar ela, ela ameaçava ele dizendo que tirou fotos dele e que colocaria nas redes sociais como estuprador. Chegou até a realmente fazer isso com uma das vítimas.

Ora, o que leva alguém a ameaçar outra pessoa dessa maneira? Somente um fator pode dar poder uma vã ameaça como essa: a falta de compromisso com o compartilhamento de informações pela internet. O famoso “não sei se é verdade, mas por via das dúvidas” ou “Só estou compartilhando”. Isso pode acabar com a vida de uma pessoa. Compartilhar notícias falsas é quase tão grave quanto criá-las.

Lembro-me de uma vez que recebi um email dizendo que o Hospital de Olhos de Sorocaba estava com excesso de córneas e que quem precisasse de transplante de córnea encontraria facilmente a solução lá. Apesar de ser uma notícia boa, não achei que deveria compartilhar sem checar. Então, liguei para o número que havia no email e realmente era do Hospital, mas eles não tinham córneas para doação. Era um boato. Imagine! Mas pelo menos não compartilhei, pois poderia ter gerado esperança em alguém que estivesse precisando para algum conhecido e depois iria se decepcionar.

Não procure se livrar da responsabilidade de compartilhar uma informação. Você é sempre responsável por tudo que envia, mesmo não tendo criado a informação. Assim surgem e assim se disseminam as fofocas e mentiras.

Vale sempre reforçar o ensinamento atribuído ao filósofo grego, Sócrates. É uma história que fala sobre o ensinamento das três peneiras.

Sócrates, ao receber um discípulo que iria lhe contar uma história de algum conhecido o questionou se aquilo que seria contado já teria passado pelas três peneiras. O discípulo não sabia o que responder e Sócrates falou: Primeira peneira, VERDADE. Isso que vai me contar você tem realmente certeza que aconteceu ou você não sabe ao certo? Se sim, pode continuar para passar pela segunda peneira que é a peneira da BONDADE. Isso que você vai contar será bom para a pessoa que está sendo relatada no fato? Se você trocasse de lugar com essa pessoa, gostaria que alguém contasse o mesmo a seu respeito? Se sim, passemos à terceira peneira: NECESSIDADE. É necessário mesmo que eu saiba dessa informação ou só irá matar a minha curiosidade? Se passar pelas três peneiras meu amigo, siga em frente. Caso negativo, pare por aqui mesmo.

Esse ensinamento socrático demonstra muito sobre a importância da responsabilidade no compartilhamento de informações.

Se hoje em dia nem conseguirmos passar pela primeira peneira, que dirá das outras?

Portanto, pare de “só compartilhar”, pois você pode estar perdendo sua credibilidade e prejudicando muita gente.

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